
Eram um pouco mais das 7 horas da manha. Muito sono ainda, e um friozinho danado. Uma chuva me seguiu até o ponto, construindo em mim já um sentimento de chateação. O ônibus chega, lotado como de costume. Um desafio chegar até o meio e ocupar um pequeno lugar só meu. na minha frente, duas pessoas sentadas. Uma moça na cadeira do corredor (dormindo) e um homem na cadeira da janela. Como de costume também, a viagem seguia lentamente, aceleradas e freadas constantes. Chegamos no ponto da Grande Bahia, Paralela.O tal homem da janela preparou na mão uma moeda. Quem queria descer, já tinha descido. Quem queria subir, já tinha subido. As portas fecharam, e o ônibus já parecia dar sinal que iria partir. Rapidamente o homem pôs a cabeça pela janela e gritou: - Jornal, ô jornal... Veio a moça do coletinho laranja, sorrindo, contente, iria vender mais um jornalzinho... o preço? APENAS 0,50 centavos. A troca foi rápida, na acelerada do ônibus a vendedora deu o jornal com uma mão, e recebeu a moeda com a outra. O ônibus partiu. A mulher gritou: - falta 0,25 centavos... falta 0,25 centavos... O homem, já folheando seu novo jornal, gargalhou... Só ele sabia que aquela moeda, não era de 0,50 centavos.
Má fé, Roubo, engano, traição...
Pensei tanto naquela moça hoje...
0,25 centavos é muito pra ela sabe, é o preço de meio jornal...
Ninguém sai de casa, tão cedo, em dia de frio e chuva, pra vender jornal, que custa tão pouco, e receber menos ainda... 0,25 centavos. esse valor nao me sai da cabeça. 0,25 centavos.
Talvez ela não acredite mais em ninguém, talvez ela não venda mais jornal a ninguém de dentro do ônibus, talvez ela nem venda mais jornal.. por causa de 0,25 centavos...
E aquele homem... Espero que ele tenha aproveitado do seu jornal. Espero que ele mesmo, não seja a próxima noticia, do jornal de amanha!